Os planos do destino.

O destino guarda alianças.

17º dia de Kythorn o tempo das flores (junho).

Após tudo o que os viajantes passaram, a viagem até o vale de Tesh não é comemorada como outro poderiam fazer. Não há clima para conversa entre eles. O som que se ouve por cada um dos componentes da comitiva é dos questionamentos que cada um deles tem à respeito do seu destino. Linhagem familiar perdida, e agora envolvida com planos que fogem a capacidade do seu próprio controle. Segredos paternais nunca antes levantados agora trazidos à tona, que guardam um propósito incerto. Busca pelo conhecimento que pode provocar o fracasso da própria vida, mas por outro lado, poderá ensejar um poder jamais visto por toda Faêrun.

Ao chegarem no Vale de Tesh, os viajantes percebem que a cidade não passa de um amontoado de ruínas, até menos povoada do que eles imaginavam. O abandono era latente quando se observava a quantidade de construções sem teto, ou parcialmente destruída, além da maioria delas, quando ainda de pé, estarem preenchidas com musgo pelo tempo.

A estrada de acesso às ruinas, levou os viajantes a uma construção que facilmente chamaria a atenção de qualquer transeunte, visto que tinha suas janelas fechadas, e sua porta recém-construída também. A diferença era notória. Parados na porta, preparados para qualquer contratempo, o que toma a frente é Gereth, batendo na porta reforçada e em alto em bom som perguntando se havia alguém no local. Kandor aguardava exatamente na frente da porta com os braços cruzados. Já Stalinder se propôs a tentar dar a volta pela construção, na tentativa de encontrar opções, mas sem sucesso.

Na tentativa de olhar pelas frestas das janelas e da porta, ainda que estivesse claro devido a luz do sol, não era possível enxergar nada lá dentro. Stalinder rapidamente constatou que aquela era magia.

De dentro do imóvel foi possível ouvir por todos do lado de fora, um rugido felino que podia ser distinguido como de ameaça, ou aviso. Insistindo em manter contato, Gereth reitera a indagação anterior, mas nessa oportunidade com mais firmeza, mencionando o nome de Reidoth. Os rugidos param e ouve-se a voz do que aparentemente era um senhor bem idoso: “Quem são vocês, e quais são seus interesses com Reidoth?”. Kandor insurge, informa que foi enviado pelo seu superior (____), e que precisa falar com Reidoth.

Antes de abrir a porta, os viajantes notam que por baixo dela sai uma pequena fumaça preta, como se aquele impedimento magico para ver o que havia dentro da casa estivesse sendo desfeito. Ao abrir a porta, Kandor observa um grande tigre branco parado no fundo da construção. Ele se dirige para dentro do outro cômodo, como se estivesse abrindo passagem para a entrada deles.

Todos entram, a porta se fecha e o tigre que estava em cima de uma mesa no fundo do comodo agora, ao descer, torna-se um homem de idade, dono daquela voz ouvida anteriormente. Reidoth se apresenta, e após a apresentação de todos os presentes, os informa que é componente do Enclave Esmeralda, e que a sua preocupação vai além de controle de rotas comerciais, poder ou dinheiro. Ele e seu clã se preocupam com o equilíbrio da vida. Mais precisamente daquela região, ao qual é responsável.
Expondo rapidamente seus interesses, os viajantes tomam conhecimento através de Reidoth que de fato o Culto do Dragão tem mantido atividade na região das ruínas, e que a maior preocupação de Reidoth é Sariashu (que traduzido do draconiano é garra ou dente venenoso), um dragão verde que montou seu covil na antiga torre da família de Helder, pai de Kandor.

Engajados na tentativa de ajudar Reidoth, os viajantes percebem que para acessar os segredos do conselho secreto dos vales eles teriam lidar com o dragão para acesso à torre. Mas antes, decidiram tomar pé das atividades do Culto do Dragão na região, quando após lutas com aranhas e investigar algumas outras construções e tomarem conhecimento da história do local, encontram o que seria um posto avançado do Culto do Dragão, e espionando, assistem a chegada de um de seus líderes.
Frustrado o esconderijo dos viajantes, Favric, o líder do culto do dragão informa que não tem intenção de combatê-los, e que seus interesses ali se resumem à Sariashu, os convidando para o dentro da construção onde foi feito o seu posto avançado sem as suas armas.

Em conversa privada, Stalinder toma a frente da negociação percebendo que Favric é mais do que um cultista, ele é notoriamente um usuário de magia arcana que aparentemente esconde a capacidade de seu poder. Stalinder com a ajuda de Gereth explica que os interesses deles estão dentro da torre onde Sariashu fez o seu covil. Favric por outro lado compartilha que seus interesses são o contato com o dragão, e que por ser um dragão verde, teria dificuldade de chamar a atenção do mesmo de forma suficiente para se fazer ouvir. Proposto o acordo, que todos iriam juntos para buscar seus interesses dentro da torre em contato com o dragão, este foi rapidamente aceito.

Na continuação da conversa, Favric compartilha com os viajantes que ainda existem aqueles que não compactuam com os Zentharins, e que a aliança destes com o Culto do Dragão ainda é contestada. A aliança foi feita à mão de ferro pelo autointitulado líder dessa aliança, o poderoso Manshoon. Ainda em conversa após o acordo, foi proposto por Favric que o Culto do Dragão estava sempre interessado na contração e recrutamento de homens fortes o suficiente para o trabalho, informando que caso estes mudem de idéia, que eles poderiam trabalhar em benefício do culto.

Stalinder não se opôs, mas Gereth e Kandor negaram prontamente, demonstrando toda a sua insatisfação e sua consternação com a proposta.

Já a noite, os viajantes já reunidos próximos do posto do Culto do Dragão tratam à respeito dos interesses de Favric e da proposta feita por ele. Stalinder defende seus pontos de vista que, muito embora desprovidos do que pode ser considerado honra, objetivam o alcance de informações privilegiadas através do acesso à fonte. Já Gereth e Kandor reiteram a sua insatisfação e não compactuam com a posição de Stalinder, sem nem considerar seu ponto de vista. Sendo voto vencido, Stalinder não insiste e tenta projetar uma nova opção, que junto com Gereth, seria tentar acabar com o Culto naquela região, mas não sem antes tentarem tratar com Sariashu.

Adormecendo, os três viajantes embarcam em um sono que mais parece uma cena vivida por eles, dentro da Torre de Ashaba, com o velório de todas as pessoas falecidas no ataque sofrido pela torre. Estranhamente, a senhora do destino com todas as suas laminas girando ao redor da sua face indecifrável continua mostrando a cena para eles, quando estes não sabem se ela é do presente, do passado do futuro. Mas notam que homens aparentemente comuns, recebem saudações dos guerreiros da guarda, e se reúnem com Hao Pretórius, que da uma quantia em moedas de ouro para cada um deles. Ao final do parecia um ritual funerário, após a oração de uma serva de Mystra, eles acordam os três ao mesmo tempo e sob um susto incomum. Se entreolham sob o sol da região, que já pela manhã lhes esquentava a face.

Prontos ou não, a audiência com Sariashu estava para começar.

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Gerson_dos_Anjos

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